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| Ao lado do filho, Leandro, Maria Inês Duarte diz que chegou a chorar preocupada com as reações do poodle Pingo depois de ter sido vacinado |
Segundo o MS, a vacina que está sendo analisada é a RAI-PET, produzida pelo laboratório Biovet, que desde 2003 tem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Em Minas, no entanto, essas doses foram usadas em 305 mil animais dos 2,1 milhões vacinados. De acordo com informações da SES, os cães e gatos imunizados pela vacina produzida em outro laboratório não tiveram reações. No entanto, entre animais que receberam a vacina produzida pelo Biovet, distribuída em 10 municípios mineiros, houve 12 óbitos, com notificação de 53 eventos adversos, sendo 43 em BH, cinco em Contagem, na Grande BH, e cinco em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.
A campanha chegou a 22 estados e ao Distrito Federal, entre 12 de agosto e 6 de outubro, e nesse período o ministério recebeu 1.401 notificações de eventos graves envolvendo animais e 217 mortes, ocorridas em Minas, no Distrito Federal, Espírito Santo, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins. Nesses 11 estados e no DF, foram imunizados 5,8 milhões de felinos e caninos. A medida, de acordo com o governo, só foi tomada recentemente porque as informações sobre a ocorrência de óbitos e casos graves disponíveis até a última quarta-feira não eram suficientes para suspender a campanha.
CAUTELA
Somente depois dos resultados preliminares informados pelo Ministério da Agricultura, com base em amostras colhidas, a suspensão foi declarada. O exame indicou a ocorrência de efeitos graves e mortes depois da vacinação, que, até então, não eram previstos na literatura científica disponível. Com base nisso, como medida cautelar, o Ministério da Agricultura recomendou a interrupção temporária do uso da vacina, até que toda a investigação seja concluída. Entre os efeitos observados estão hemorragia, dificuldade de locomoção, hipersensibilidade de contato e intensa prostração.
Para a campanha de vacinação antirrábica 2010, foram comprados 30,9 milhões de doses por R$ 23,4 milhões. Antes da aplicação, o Ministério da Agricultura as examinou e não foram detectados problemas, nem nos testes iniciais nem na contraprova de amostras mantidas em estoque. “Esse número alto de mortes não é considerado normal”, afirma a vice-diretora da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Zélia Lobato.
Segundo ela, nunca houve na história da campanha antirrábica tamanha polêmica. “Está tudo muito estranho, reações ocorrem, mas os índices de mortalidade são baixos. As 12 mortes em Minas são consideradas preocupantes. Se o Ministério da Agricultura testou as vacinas duas vezes e não houve problema, o que tem ocorrido então? Essa nova vacina deveria dar menos reações do que as outras. A história tem que ser esclarecida, a suspensão foi acertada, mas é preciso investigar com rigor o que ocorreu.”
PREOCUPAÇÂO
A grande preocupação de Zélia Lobato é com a imagem que a campanha passará a ter. “Tudo isso é muito triste, pois abala a confiança das vacinas públicas. Essa mobilização é feita há décadas e sempre é um sucesso”, diz. Para a dona de casa Maria Inês Duarte Guimarães a credibilidade nessa história é mesmo lamentável. Dona do cachorro poodle Pingo, ela conta que sempre o vacinou na rede pública, porque sempre confiou nela. “Desta última vez, foi diferente. Ele teve reações que me preocuparam. Ficou quieto o dia inteiro, não comia nem bebia água. Teve febre alta e não mexia a patinha na qual foi aplicada a injeção. Por 10 dias ele arrastou a pata. Foi um tormento, achei que ele iria morrer”, diz Maria Inês, que chegou a chorar por causa da situação. “Não conseguia nem dormir. Hoje ele está bem. Mas, não sei se o vacinaria de novo”, confessa.
O laboratório Biovet publicou nota em seu site informando que há 53 anos atua no segmento de saúde animal do país e que a vacina produzida por eles tem registro no Ministério da Agricultura e é submetida a todas as provas de controle. Mesmo seguro em relação à qualidade das doses, o laboratório vai investigar, em sintonia com o Ministério da Saúde, todas as reações adversas provocadas.
Fonte: Estado de Minas

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